04
NOV
2014

Início do Ano Escolar

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À imagem de todo o país, também o concelho de Beja foi perniciosamente afetado, pelo início do ano escolar, que não deixará de afetar a vida dos alunos e famílias, durante um largo período.

Não sendo original esta situação, já que ao longo de vários anos, nos fomos habituando a inícios de ano letivos turbulentos, que tiveram maior expressão no pós o 25 de Abril de 1974, pelos motivos por todos conhecidos, não é menos verdade que gradualmente estas dificuldades se foram diluindo, à medida que cresceu a organização no ministério da educação e os meios informáticos, foram facilitando o exercício sempre difícil, da colocação dos professores.

Quem trabalhou como docente no século passado, ainda se lembrará dos famosos miniconcursos de professores, que produziam enormes filas junto à Escola Secundária Diogo de Gouveia, à espera das colocações residuais, supridas à última hora.

Os meios disponíveis nesses tempos eram parcos e a informática ainda não se fazia sentir. Só com a competência, esforço e dedicação dos funcionários, era possível evitar que os atrasos fossem mais significativos.

Gradualmente foi anulada a entropia que afetava o sistema e tudo parecia caminhar no bom sentido. De tal forma que, nos últimos anos, ninguém de bom senso aceitava que as atividades letivas, não tivessem início na data prevista, em condições de igualdade para todos os alunos e por todo o país.

O que aconteceu este ano, logrou destruir as naturais expetativas de alunos e docentes, revelando uma ligeireza, senão mesmo incompetência, a que já não estávamos habituados.

O atraso do ano letivo, não produziu apenas sentimentos de revolta e frustração nos professores, tratados de forma indecorosa e afetados na sua dignidade profissional por este ministro da educação, como criou, fundamentalmente, enormes dificuldades para os alunos, especialmente os mais desfavorecidos, que se viram privados de professores durante um longo período de dois meses, condenando porventura, o sucesso educativo do ano escolar.

A demostração de incapacidade para melhorar, ou pelo menos não estragar, o que de bom tinha sido feito até aqui, demostra que, para se dirigir o ministério da educação, é necessário ter outro conhecimento sobre a administração escolar e funcionamento das escolas, não chegando para isso ter sido, um bom professor do ensino superior.

A forma como o ano letivo foi preparado e iniciado, criará certamente situações de desigualdade irreparáveis, por mais planos de recuperação que possam ser implementados, para tentar iludir as lacunas entretanto criadas.

Este início de ano letivo deu porventura uma enorme machadada na credibilidade do ensino público, num momento em que tudo é feito, para promover a ascensão do ensino privado e a sua pretensa excelência.

Para um ministro que pretendia implodir o ministério da educação, parece-nos que apenas conseguiu com a sua ação, a implosão da própria equipa, onde as demissões se vão sucedendo em catadupa, e pôs a nu porventura, a sua verdadeira intenção, de descredibilizar o ensino público, que tanto custou a valorizar.

Vitor Igreja