08
NOV
2016

Orçamento do PCP e de João Rocha para 2017 – O milagre da salvação

Surpreendentemente, o PCP, sob a batuta do Presidente João Rocha, apresenta o seu orçamento para 2017, em Beja, sob o lema de uma “estratégia de desenvolvimento desenhada pelo executivo municipal, assente num conjunto de projetos e obras”.

Ao longo do documento são ainda utilizadas expressões como “requalificação urbana”, “aproveitamento de oportunidades”, “desenvolvimento socioeconómico”, “trabalhar para as populações”, tudo a coberto do slogan ALMA CRIATIVA.

Na verdade, o que temos perante nós não é uma alma criativa, é um dó de alma, já que durante os três primeiros anos o grande marco, o grande feito, foi uma demolição, a demolição do reservatório da praça, o próprio Centro de Arqueologia e Artes, sem fim à vista, vai ter as obras a arrastarem-se até 2020 e foi requalificada apenas uma rua (sim, três anos uma rua), sim uma rua, a General Teófilo da Trindade, que no final de contas está a ser evitada por muitos automobilistas dificultando todo o transito naquela zona da cidade.

Outras questões fundamentais que resultam das obrigações mínimas essenciais do Município como a limpeza e a higiene urbanas, o fornecimento de água, entre outras tem sido assegurada com evidentes dificuldades e constante degradação da qualidade que estes serviços alcançaram no passado.

Mesmo problemas evidentes aos olhos de todos, como a degradação dramática do Mercado Municipal, a requalificação física da biblioteca, a conservação e revitalização da Casa da Cultura, a aposta em novos espaços verdes e melhoria de outros, não foram resolvidos até agora, não constam do orçamento e plano de atividades para 2017 ou então surgem desgarradas, sem planificação adequada e com verbas insuficientes, ridículas. Estas como outras questões foram sendo apontadas ao longo do tempo, em muitos casos até alvo de propostas, nunca ouvidas, consideradas ou tidas em conta pelo Presidente João Rocha.

Infelizmente a grande aposta irá para a organização de festas, festinhas, desfiles e outras ações da natureza semelhante que ao consumirem grande parte dos recursos disponíveis criam dificuldades acrescidas a outros setores de atuação municipal que não poderiam nem deviam ter sido descurados.

Apesar do aumento de receitas que de acordo com os documentos oficiais fornecidos pelo próprio executivo CDU, entre impostos e Fundo de Equilíbrio Financeiro, aumentaram entre 2013 e 2016, cerca de 4,5 milhões de euros, a capacidade de execução tem sido quase nula nestes três anos. Facto que não inspira nada de bom para este último ano de mandato no final do qual o Presidente João Rocha se apresentará de novo à população tentando conseguir o seu voto.

Para 2017, talvez o acrescimo mais significiativo seja o reforço das verbas para arruamentos, estradas e caminhos, que naturalmente necessários, assumem exagerada proporção, numa postura desequilibrada de tudo ou nada, isto sem ter sequer dado até agora provas de a conseguir executar.

Se durante três anos não foram cumpridos os objetivos a que o executivo da CDU se propôs inicialmente, das duas uma: ou não vai conseguir cumprir o caderno de encargos que o orçamento de 2017 constitui, já que pressupõe uma vasta lista de intenções sem priorização ou calendarização e estaremos perante quatro anos perdidos para o desenvolvimento do concelho de Beja e da região do baixo Alentejo ou, por outro lado, tem-se estado a manter uma aparente estagnação para aplicar o velho modelo de apresentar trabalho no último ano, estratégia arriscada e contraproducente, eventualmente com sucesso, apenas ao nível eleitoral, no passado e em outros municípios, mas que em nada dignifica a ação municipal e não pode mais suportar a gestão de uma capital de distrito nos dias de hoje que se pretende moderna, competitiva, próspera e cosmopolita.

Para 2017 teremos um orçamento cinzento, completamente ao arrepio do slogan municipal, com pouca alma e quase nenhuma criatividade.

O voto de abstenção dos vereadores do PS pretende exatamente sinalizar essa dúvida, a dúvida de se conseguir cumprir com aquilo que ainda não foi feito.

Certo é que para cumprir o prometido neste Orçamento, muito próximo de um manifesto eleitoral sem prova dada que o sustente, será preciso que em menos de um ano, o executivo CDU faça mais do dobro, talvez o triplo, do que fez nos 3 anos já passados, com pouco critério, desconhecendo-se as prioridades ou perante uma ausência de estratégia de desenvolvimento e de futuro.

Quanto às festas e festarolas, apitos e foguetes, não duvidamos que cumprirão ou ultrapassarão o projetado. Quanto ao resto, cá estaremos para ver e avaliar.

Nós e todos os bejenses!

Os Vereadores do PS na Câmara Municipal de Beja

José Velez
Ana Horta
Rui Marreiros

Contactos disponíveis: Rui Marreiros 964752211