27
ABR
2015

Saudação – Dia internacional dos trabalhadores

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(Dia de S. José Operário, padroeiro dos trabalhadores)

Saudação ao 1º de maio

Comemora-se todos os anos, sendo feriado em vários países. A data assinala a manifestação de 500 000 trabalhadores em Chicago, nos Estados Unidos da América do Norte, em 1886, reivindicando a jornada de 8 horas. Numa greve geral, a polícia interveio, feriu e matou.

No dia 3, um levantamento terminou com escaramuças e a morte de 3 manifestantes.

No dia 4, nova manifestação em protesto pelos acontecimentos, culmina com o lançamento de uma bomba contra a polícia, matando um. No confronto, morreram mais 7 polícias. O corpo policial reagiu e matou 12 manifestantes.

No dia 5 voltou a haver escaramuças e feridos.

3 sindicalistas foram condenados à morte e três a prisão perpétua.

O episódio ficou conhecido pela Revolta de Halmarcet.

Em 20 de junho de 1889, a II Internacional Socialista, reunida em Paris, deliberou convocar uma manifestação anual no 1º de maio, reivindicando a jornada de 8 horas, em homenagem aos acontecimentos americanos.

No dia 1 de maio de 1891, uma manifestação no norte de França, acaba com a morte de 10 manifestantes. Meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas, proclama o 1º de maio como dia internacional das reivindicações laborais.

Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratifica a jornada de trabalho de 8 horas e feriado no dia 1 de maio.

A luta dos trabalhadores tem sido pela dignificação do trabalho. Luta pelos direitos e garantias dos que têm como fonte de rendimento, a sua capacidade física e intelectual que colocam ao serviço de terceiros, mediante a alienação parcial da sua liberdade individual, correspondendo a um salário.

Ao longo de 200 anos, o trabalhador foi um instrumento de lucro dos patrões. Desde então, esta perspectiva foi sendo questionada e alguns ordenamentos jurídicos passaram a garantir, nas democracias, um novo papel para o cidadão.

Pelos ideais consolidados, sobretudo a partir do final do século IX, o trabalhador passou a ser o sujeito da história, o transformador social.

A sindicalização e o direito à greve são marcos desses últimos 200 anos, lembrados em diversas ocasiões, e que deram às populações noções mais exatas de que o poder emana do povo.

Em Portugal, no fim da monarquia e ao longo da I República, o sindicalismo tornou-se reivindicativo. O 1.º de Maio adquiriu características de ação de massas. Em 1919, após várias lutas, foi consagrada a jornada de oito horas para o comércio e indústria.

As greves e as manifestações de 1962, um ano após o início da guerra colonial, são as mais relevantes e carregadas de simbolismo. Apesar das proibições e da repressão, os pescadores, os corticeiros, os telefonistas, bancários, trabalhadores da Carris e da CUF, protagonizaram acções de contestação muito relevantes. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.

Marco indelével na história do operariado português, foram as revoltas dos assalariados agrícolas alentejanos, no 1.º de Maio de 62. Mais de 200 mil que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.

Inglaterra, 1968: a fábrica da Ford é o coração industrial do Essex, com 55 000 operários. Enquanto os homens trabalham em novas instalações, 187 mulheres cozem os assentos de pele na parte da fábrica construída em 1920 que cai aos pedaços.

As trabalhadoras são classificadas como operárias sem qualificações. Será a gota de água. Com coragem, determinação, uma boa dose de ironia, conseguiram fazer-se ouvir por sindicatos, comunidade local e governo, chegando às bases da lei inglesa sobre a igualdade de direitos e salário. Por detrás da famosa greve de 1968, na realidade, não houve somente o aspecto público da reivindicação. A dimensão pessoal e familiar, a mais difícil de gerir, catapultou as mulheres trabalhadoras inglesas para um patamar social completamente distinto.

Os tempos mudaram e as condições de hoje são outras. Não obstante, mantêm-se as preocupações.

Perante a convergência nominal prometida pela União Europeia, verificamos que não só está longe de ser implementada como mostra à evidência que não conseguiremos, nos tempos mais próximos, atingir uma convergência real.

Face ao desastre da globalização – que transferiu tecnologia da Europa para os países sem proteção para os trabalhadores – e perante a contestação mundial aos grandes grupos económicos, detentores de marcas e imagens de renome que utilizam mão de obra quase escrava, trabalho infantil, em locais insalubres, assistimos na EU a uma tentativa de transformação dos PIIGS em ambientes laborais idênticos aos do Paquistão, Índia, Nepal, Coreia, Filipinas, Tailândia e até China.

Entre nós, os recentes ataques aos direitos de quem trabalha vão no sentido da diminuição contínua dos salários e das garantias, liberalizando ao máximo a contratação e aumentando o livre arbítrio dos empregadores.

São motivos de preocupação e de reflexão.

Continuam atuais as perspetivas do movimento sindical internacional consubstanciadas no simbolismo do 1º de maio.

Por isso saudamos a data e a comemoramos.

 

O Grupo do Partido Socialista da Assembleia Municipal de Beja

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